quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Noir

Que estranha sucessão de acontecimentos se deu nesse lugar.

Fréderic voltou às ruas, seu trompete fede a esgoto, whisky e mijo. Meu poeta sujo limita de novo suas canções às calçadas, dizendo precisar de escuridão.

Naturalmente, Beatriz-menina voltou a chorar. Não mais tem os cuidados de seu recém-adquirido pai e se fere ao vê-lo chegar em casa de camisas sujas, que outrora foram brancas, e deitar-se de qualquer forma no sofá, por vezes até chutando ou quebrando algum de seus brinquedos, por pura displicência. Displicência? Não julguem meu pobre poeta, ele achou sim que poderia fazer melhor que isso.

Quando viu um bebendo e outra chorando, Ana obviamente fugiu. Não suportaria tanto, pois só sobrevive na leveza. Correu. E eu que antes disso até pensei em comprar de novo tulipas vermelhas e dispô-las na mesa da sala, só para que ela que se sentisse em casa, só como uma falsa garantia de que não fugiria outra vez. No fundo eu já sabia que não moraria aqui, paredes não são para Ana. Nunca foram.

Quanto à Laura, ela trabalha, dança e se impacienta com todos esses conflitos. E ainda manda embora todos para novo ter a casa dela para ela - e assim cristalizar de vez a sua solidão.


(de 29/03/2008)






dito e feito.

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